A ONG Mães da Resistência nasceu do desejo de um grupo de Mães de pessoas LGBTQIAPN+ que já trazia uma bagagem de ativismo e maternagem, mas entendiam que mais do que defender uma pauta e conquistar um local de fala, precisavam tratar de outros aspectos da diversidade humana e acolher com muito respeito a todos. Também precisávamos acolher a nós mesmas, mães, que geralmente se fragilizam diante da descoberta das questões de gênero e sexualidade dos filhos e sofrem com medo das violências recorrentes no dia a dia. Culturalmente, as mães são as primeiras a serem culpadas por qualquer acontecimento ou mudança de comportamento dentro da família e, na maioria das vezes, são o primeiro lugar de violência que a população LGBTQIAPN+ enfrenta dentro do núcleo familiar.

Além do compromisso de acolher filhos biológicos e não biológicos com afeto, provendo conhecimento e garantindo direito, liberdade e dignidade, entendemos que somos peças fundamentais na construção de espaços mais acolhedores, que respeitem nossas famílias e permitam aos nossos filhos, filhas e filhes viverem livres e felizes.
Sabemos que a partir de nossas vivências e desse trabalho de acolhimento e educação, conseguimos fazer com que outras famílias entendam a importância do apoio familiar para essa população, que isso é essencial para o próprio indivíduo e para que a sociedade entenda que é responsável pelas vidas de todas as pessoas. É a partir dessas ações que as famílias refletirão sobre o enfrentamento ao preconceito e a violência.


Nossos filhos, filhas e filhes, quando acolhidos e respeitados em suas famílias, encontram meios de enfrentar os desafios que encontram e as famílias passam a ter mais noção do seu papel na transformação da sociedade, incidindo também nas políticas públicas e encontrando seu local de fala na condução dos importantes diálogos políticos para toda a comunidade LGBTQIAPN+. Enquanto movimento de mães, pais e familiares de pessoas LGBTQIAPN+, majoritariamente formado por mulheres, nos entendemos como “Mãeslitantes”, termo que traz a força das nossas maternagens e que nos faz estar cada vez mais conscientes das nossas responsabilidades.


Em três anos de atuação da nossa ONG, estamos certas de que nossos princípios e valores estão sendo transmitidos. Temos plena convicção de que avançamos. Nossas coordenadoras são mulheres incríveis, munidas de uma potência enorme e que fazem com que nossa capilaridade só aumente. Vale salientar que somos todas voluntárias e que o que nos impulsiona verdadeiramente é o amor. Percorremos todos os estados onde temos representação e atuamos em rede para que nenhuma família deixe de ser acolhida.


Enfrentamos o ódio com o Amor. Nenhuma de nós é maior ou melhor que todas nós, juntas! Não vamos parar até que o comum seja que a comunidade LGBTQIAPN+ seja acolhida por suas famílias, respeitada pela sociedade e tenham seus direitos garantidos pelo Estado.
“Se fere a existência dos nossos filhos, filhas e filhes, seremos sempre Resistência!”

Gi Carvalho
Presidenta MdR